A taxa da maquininha é só uma parte do custo
Quando se fala em taxa do cartão, a primeira lembrança é a MDR, o percentual descontado de cada venda. Mas o dinheiro que sai das vendas no cartão pode incluir outros custos, cobrados de formas diferentes e registrados em relatórios diferentes.
Olhando só a MDR, a empresa pode achar que paga uma coisa e, somando tudo, descobrir que paga outra. Conferir as taxas do cartão é juntar essas peças, ver o custo total e verificar se cada uma está de acordo com o contrato.
Quais custos o cartão pode ter
MDR (taxa da venda)
Percentual descontado de cada venda, que pode variar conforme a modalidade, a bandeira, a faixa de parcelas e o canal. Veja o que é MDR.
Custo de antecipação
Desconto cobrado quando a empresa recebe antes da data prevista. Incide sobre o valor antecipado e costuma variar com o prazo que foi adiantado. Pode ser pontual ou automático, conforme o contrato. Veja como funciona a antecipação de recebíveis.
Aluguel ou mensalidade
Valor fixo por equipamento ou por período, quando o contrato prevê. Não depende de quanto foi vendido.
Tarifas e ajustes
Outras cobranças previstas no contrato ou lançadas pela adquirente como ajuste. Cada uma deve ter uma condição contratada que a justifique.
Cancelamentos e chargebacks também reduzem o que a empresa recebe, mas não são taxas: são valores de vendas que deixaram de existir ou foram contestadas. Vale acompanhá-los à parte, para não misturar perda de venda com custo do cartão.
Onde cada custo aparece
| Custo | Como é calculado | Onde conferir |
|---|---|---|
| MDR | Percentual sobre cada venda | Relatório de vendas da adquirente |
| Antecipação | Desconto sobre o valor antecipado | Relatório de antecipações ou de recebíveis |
| Aluguel | Valor fixo por período, se contratado | Extrato financeiro ou relatório de ajustes |
| Tarifas e ajustes | Conforme o contrato | Extrato financeiro ou relatório de ajustes |
Os nomes dos relatórios mudam de uma adquirente para outra. O importante é ter, para o mês, a lista de vendas com a taxa aplicada, a lista de antecipações com o desconto de cada uma e a lista de débitos que não são vendas.
Como calcular o custo efetivo do mês
O custo efetivo mostra quanto o cartão custou em relação ao que foi vendido. É a soma de todos os custos do mês dividida pelo total de vendas brutas no cartão:
Custo efetivo (%) = (MDR + antecipação + aluguel + tarifas) ÷ vendas brutas × 100
Esse número não substitui a conferência de cada custo, mas responde a uma pergunta que a MDR sozinha não responde: de cada R$ 100,00 vendidos no cartão, quanto ficou com a adquirente e com as operações ligadas a ela.
Contrato x cobrado, custo a custo
MDR
Compare a taxa aplicada em cada venda com a contratada para a mesma modalidade, bandeira e faixa de parcelas. É a conferência mais detalhada, explicada no guia da taxa da maquininha.
Antecipação
Para cada antecipação, compare o desconto cobrado com a condição informada ou combinada no momento da operação. Confira também se houve antecipação automática em um período em que ela não deveria estar ativa.
Aluguel
Confira a quantidade de equipamentos cobrados e o valor de cada um contra o contrato. Vale checar se não há cobrança de equipamento já devolvido ou cobrança em duplicidade no mesmo período.
Tarifas e ajustes
Cada tarifa deve ter uma condição no contrato. Uma cobrança sem previsão, ou com valor diferente do combinado, merece ser questionada com a adquirente.
Exemplo ilustrativo
Os valores abaixo são fictícios, só para mostrar o cálculo. Imagine um mês com R$ 50.000,00 em vendas brutas no cartão:
| Custo | Valor no mês | % das vendas brutas |
|---|---|---|
| MDR | R$ 1.100,00 | 2,20% |
| Antecipação | R$ 400,00 | 0,80% |
| Aluguel | R$ 150,00 | 0,30% |
| Tarifas e ajustes | R$ 50,00 | 0,10% |
| Total | R$ 1.700,00 | 3,40% |
Olhando só a MDR, o custo do mês pareceria de 2,20%. Somando tudo, foi de 3,40%. Nenhum dos números indica erro por si só: o próximo passo é conferir cada linha com o contrato.
Roteiro mensal de conferência
- Reúna os relatórios do mês: vendas com a taxa aplicada, antecipações e o extrato financeiro ou de ajustes da adquirente.
- Separe os custos por tipo: MDR, antecipação, aluguel e tarifas. Deixe cancelamentos e chargebacks em uma lista à parte.
- Some cada tipo e calcule o custo efetivo do mês.
- Confira cada custo com o contrato, começando pelos maiores valores.
- Compare com os meses anteriores, considerando as mudanças de volume e de mistura de vendas.
- Registre e conteste as cobranças sem previsão ou acima do contratado, com a data, o valor e o trecho do contrato.
Para ver como esses custos aparecem nos créditos do dia a dia, veja por que a venda no cartão cai com valor menor.
Sinais de cobrança a mais
- O custo efetivo subiu sem mudança relevante na mistura de vendas ou no volume de antecipações.
- A MDR não mudou depois de uma renegociação, ou mudou só para parte das bandeiras.
- Apareceu uma tarifa nova sem aviso ou sem previsão no contrato.
- O aluguel não bate com os equipamentos em uso.
- Há antecipações que a empresa não reconhece, como uma antecipação automática que deveria estar desligada.
Cuidados ao comparar um mês com outro
O custo efetivo muda mesmo sem erro nenhum. Antes de concluir que algo está errado, considere:
- A mistura de vendas: um mês com mais crédito parcelado tende a ter MDR média maior, se as taxas do parcelado forem maiores.
- O volume de antecipação: antecipar mais, ou por prazos maiores, aumenta o custo do mês.
- Os custos fixos: o aluguel pesa mais, em percentual, em um mês de vendas fracas.
Por isso, a comparação entre meses serve de alerta, e a conclusão vem da conferência de cada custo.
Como o iConciliar ajuda a conferir os custos
- a taxa de cada venda é comparada com as taxas que você cadastrou por adquirente, modalidade, bandeira, canal, faixa de parcelas e período de vigência, e as cobranças a mais aparecem com a diferença em reais;
- aluguel de maquininha e cancelamentos aparecem separados do repasse;
- cada diferença pode ser justificada, colocada em contestação ou marcada como recuperada, com anexos e histórico.
O custo de cada antecipação e as tarifas avulsas ainda precisam ser conferidos nos relatórios da adquirente. Hoje o iConciliar confere as taxas a partir do relatório de vendas da Cielo. Veja também como funciona a conciliação de cartões ou acesse a página do iConciliar.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre conferir a taxa da maquininha e as taxas do cartão?
A taxa da maquininha, a MDR, é conferida venda a venda, comparando a taxa aplicada com a contratada. Conferir as taxas do cartão é olhar todos os custos do mês juntos: MDR, antecipação, aluguel, tarifas e ajustes, e saber quanto eles representam do que foi vendido.
Meu custo efetivo ficou maior que a MDR contratada. É erro?
Não necessariamente. O custo efetivo soma tudo o que saiu das vendas no mês, e a MDR é só uma parte. Antecipações, aluguel e tarifas fazem o custo efetivo ficar acima da MDR mesmo quando todas as cobranças estão corretas.
O custo da antecipação entra na conta das taxas do cartão?
Para saber quanto o cartão custou no mês, sim. É um custo financeiro diferente da MDR, cobrado pelo adiantamento dos recebíveis, mas sai do mesmo dinheiro das vendas. Vale acompanhá-lo em uma linha separada.
Onde encontro as tarifas e os ajustes cobrados?
No portal ou no aplicativo da adquirente, em relatórios de recebíveis, de ajustes ou de extrato financeiro, conforme a adquirente. As condições que justificam cada cobrança ficam no contrato ou no plano contratado.
Com que frequência vale conferir os custos do cartão?
Um fechamento mensal costuma bastar para o custo efetivo e para aluguel e tarifas. A MDR pode ser conferida com mais frequência, porque uma taxa errada se repete em todas as vendas até ser corrigida.
Confira a taxa de cada venda sem fazer conta à mão
Crie a conta, cadastre as taxas negociadas e importe o relatório de vendas da adquirente para ver quais vendas foram cobradas acima do contratado.