O que é conciliação de cartões
Conciliação de cartões é a conferência entre o que a empresa vendeu no cartão de crédito e de débito, o que a adquirente (a empresa da maquininha ou do link de pagamento) registrou e cobrou, e o que de fato foi depositado no banco.
Na prática, ela responde a três perguntas para cada venda: a transação existe na adquirente com o valor certo? A taxa descontada é a que foi negociada? O repasse caiu na conta, no valor e na data esperados?
Por que a conciliação de cartões é importante
Entre a venda no cartão e o crédito na conta existem várias etapas de processamento e repasse. Cada etapa pode gerar uma diferença: uma taxa acima do contratado, um cancelamento descontado duas vezes, uma parcela que não foi repassada, um estorno que não voltou.
Essas diferenças costumam ser pequenas quando vistas uma a uma, e é justamente por isso que passam despercebidas. Somadas ao longo dos meses, afetam o caixa e a margem. Conferir com regularidade também é o que permite contestar a cobrança com a adquirente ainda dentro do prazo.
Além do dinheiro, a conciliação dá previsibilidade: saber quanto há de recebíveis a entrar, em quais datas, ajuda a planejar pagamentos e a decidir, por exemplo, se vale a pena antecipar.
O que precisa ser conferido
Uma conciliação completa olha para cinco pontos:
1. As vendas
Cada venda em cartão registrada no sistema (ERP, PDV ou plataforma de e-commerce) precisa ter uma transação correspondente na adquirente, com o mesmo valor, a mesma data e a mesma modalidade: débito, crédito à vista ou crédito parcelado.
2. As taxas da maquininha (MDR)
A taxa descontada em cada venda deve ser a contratada para aquela bandeira e modalidade. Taxas negociadas mudam com o tempo e nem sempre são aplicadas como combinado, por isso a conferência é por venda, não pela média do mês.
3. Os recebíveis e os repasses
O valor líquido que a adquirente informou para cada data precisa aparecer como crédito no extrato do banco. No crédito parcelado, cada parcela é um recebível com a sua própria data. Essa etapa é o foco da conciliação de recebíveis.
4. Cancelamentos e estornos
Uma venda cancelada gera um desconto no repasse. É preciso conferir se ele corresponde a uma venda realmente cancelada no sistema, e se o estorno devido ao cliente foi feito pelo valor certo.
5. Outros descontos
Aluguel da maquininha, ajustes e chargebacks também saem do repasse. Eles precisam ser identificados para não serem confundidos com diferenças de taxa ou de venda.
O caminho de uma venda no cartão
Toda venda no cartão percorre o mesmo caminho. A conciliação acompanha a venda em cada etapa:
- 1Sistema / ERPRegistra a venda: pedido, valor, data e forma de pagamento.
- 2AdquirenteProcessa o cartão, desconta a taxa (MDR) e agenda o repasse.
- 3BancoRecebe o crédito da adquirente na data prevista.
- 4ConciliaçãoConfere se as três pontas contam a mesma história.
Se o sistema registrou a venda, mas a adquirente não, o problema está na primeira passagem. Se a adquirente registrou, mas o banco não recebeu, está na segunda. Por isso conferir só o extrato, ou só o relatório da adquirente, não basta.
Exemplo prático
Imagine um dia com três vendas no cartão. Os valores abaixo são ilustrativos, só para mostrar o raciocínio.
| Pedido | No sistema | Na adquirente | Resultado |
|---|---|---|---|
| Pedido 1021 | Débito, R$ 200,00 | Débito, R$ 200,00, taxa contratada | Bateu |
| Pedido 1022 | Crédito à vista, R$ 500,00 | Crédito à vista, R$ 500,00, taxa de 2,90% (contratada: 2,50%) | Taxa cobrada a mais: R$ 2,00 |
| Pedido 1023 | Crédito, R$ 350,00 | Não encontrada | Venda sem transação na adquirente |
O pedido 1021 está certo. No 1022, a adquirente descontou R$ 14,50 em vez de R$ 12,50: são R$ 2,00 a contestar. O 1023 pede investigação: a venda pode ter sido paga em outro meio, digitada com a forma de pagamento errada no sistema ou não ter sido concluída na maquininha.
O passo seguinte é olhar o banco: o repasse das vendas de débito e crédito aprovadas precisa aparecer no extrato, no valor líquido informado pela adquirente.
Principais divergências encontradas
- Venda sem transação: registrada no sistema e ausente na adquirente, ou o contrário.
- Valor diferente: a transação existe, mas com valor diferente do pedido.
- Taxa acima do contratado: MDR maior que o negociado para a bandeira ou modalidade.
- Repasse que não caiu: a adquirente informou um pagamento que não aparece no extrato bancário.
- Repasse com valor diferente: o crédito no banco não corresponde ao líquido informado.
- Cancelamento sem origem: um desconto de cancelamento sem venda cancelada correspondente.
- Estorno pendente: o cliente foi cobrado a mais e a devolução ainda não apareceu.
Conciliação manual x automática
As duas formas conferem as mesmas coisas. A diferença está no esforço e no nível de detalhe que é possível manter com o tempo.
| Critério | Manual (planilha) | Automática (software) |
|---|---|---|
| Cruzamento | Feito à mão, com filtros e procuras | Feito pelo sistema, venda a venda |
| Conferência de taxas | Costuma ser por amostragem | Em todas as vendas do período |
| Tempo | Cresce com o número de vendas | O cruzamento é automatizado pelo sistema |
| Histórico | Depende de como cada planilha foi guardada | Fica registrado, com o que foi resolvido |
| Custo | Horas da equipe | Assinatura do software |
Para quem tem poucas vendas por mês, a planilha pode resolver. Conforme o volume, o número de lojas ou de adquirentes cresce, a conferência manual tende a virar amostragem, e aí as diferenças pequenas voltam a passar.
Como fazer a conciliação de cartões manualmente
- Reúna os relatórios do período: as vendas em cartão do seu sistema, o relatório de vendas e o de recebíveis da adquirente, e o extrato bancário.
- Padronize as colunas: data, valor, modalidade, número do pedido ou código da transação, em uma única planilha.
- Cruze sistema e adquirente: procure cada venda pelo pedido ou pelo valor e data, e marque as que não encontrarem par.
- Confira as taxas: calcule o percentual descontado em cada venda e compare com a tabela contratada.
- Cruze adquirente e banco: some os repasses previstos para cada data e compare com os créditos do extrato.
- Trate as diferenças: anote o motivo de cada uma e abra a contestação com a adquirente quando for o caso.
Como automatizar a conciliação de cartões
Automatizar é deixar o cruzamento com um software de conciliação: você envia os mesmos relatórios e ele faz a ligação entre sistema, adquirente e banco, calcula as taxas e aponta as divergências.
Ao escolher uma ferramenta, vale conferir:
- se ela lê os relatórios da sua adquirente, do seu sistema e do seu banco;
- se confere a taxa de cada venda contra a tabela que você negociou;
- se mostra a divergência no nível da venda, e não só o total do dia;
- se permite registrar o que foi resolvido, para o mês seguinte não recomeçar do zero;
- se separa lojas e CNPJs, caso a empresa tenha mais de um.
Como o iConciliar funciona
O iConciliar é um software de conciliação de cartões que funciona no navegador, sem instalar nada. O processo tem três passos:
- Importar: você envia as vendas do seu sistema, os relatórios de vendas e de recebíveis da adquirente e o extrato do banco, em Excel, CSV ou OFX.
- Conciliar: o sistema liga cada venda à transação da adquirente, pelo número do pedido no e-commerce e pelo valor na loja física, confere a taxa de cada venda com as taxas que você cadastrou e compara o valor líquido com o crédito no banco.
- Resolver: cada diferença aparece com o motivo. Você pode justificar, marcar como em contestação ou como recuperada, anexar comprovantes e manter o histórico.
Hoje o iConciliar lê as vendas do sistema Futura ou de uma planilha de qualquer sistema, os relatórios da Cielo e o extrato do Bradesco ou um arquivo OFX de qualquer banco. Cada CNPJ é uma loja dentro da mesma conta.
Para ver as telas, o preço e as integrações em detalhe, conheça a página do iConciliar.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre conciliação de cartões e conciliação bancária?
A conciliação bancária compara o extrato do banco com o que a empresa registrou no financeiro. A conciliação de cartões vai um passo antes: confere cada venda no cartão com a adquirente, a taxa cobrada e o repasse que deveria chegar ao banco. Uma complementa a outra.
O que é MDR?
MDR (Merchant Discount Rate) é a taxa que a adquirente desconta de cada venda no cartão. Ela varia conforme a bandeira, a modalidade (débito, crédito à vista ou parcelado) e o que foi negociado com a sua empresa. É a principal taxa da maquininha a conferir. Veja o guia sobre o que é MDR.
O que são recebíveis de cartão?
São os valores que a adquirente ainda vai repassar pelas vendas já feitas. Uma venda parcelada no crédito, por exemplo, gera um recebível para cada parcela, cada um com a sua data de pagamento. Veja o guia completo sobre recebíveis de cartão.
Com que frequência devo conciliar?
Quanto antes a diferença aparece, mais fácil é resolver: os prazos para contestar uma cobrança com a adquirente são limitados. Uma rotina possível é conferir semanalmente e fazer um fechamento completo ao fim do mês. O importante é não deixar os períodos acumularem.
Quem tem mais de uma maquininha ou mais de uma loja precisa conciliar separado?
A lógica é a mesma, mas cada adquirente tem o seu relatório e cada loja (CNPJ) pode ter taxas e contas diferentes. Por isso a conferência precisa separar por adquirente e por loja, senão uma diferença pode esconder outra.
A conciliação de cartões substitui o trabalho do contador?
Não. Ela organiza e confere as informações de cartão da empresa, o que facilita o fechamento. O contador continua responsável pela contabilidade e pelas obrigações fiscais.
Faça a conciliação de cartões sem planilha
Crie a conta, importe os relatórios do mês e veja, venda a venda, o que não bateu entre o seu sistema, a adquirente e o banco.